
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Sobre a Igreja Católica ou o Petróleo. Ou os dois. Ou nenhum

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Por que eu defendo a monarquia?

Antes de iniciar a leitura deste texto altamente revolucionário, faça um teste de QI, pois só os inteligentes vão enxergar as verdades descritas logo abaixo. Se seu teste acusou um mínimo de 125 pontos, prossiga na leitura. Se não, você vai pensar que o rei está nu.
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Em todo país que possui uma monarquia existe uma família real. Ora, não preciso de mais argumentos. Se somente uma família é real, as outras simplesmente não existem. Dessa forma, por que gastar fosfato pensando em políticas públicas e et cetera com o irreal?
Imagine só. Nada de políticas assistencialistas, nada de igualdade econômica, empregos, nada de esgoto tratado!
Porém, se minha premissa estiver errada, e os irreais, paradoxalmente, existirem — o que inclui as suas fezes —, não há escapatória e da mesma forma me alegro:
Ou as injustiças acabam, pois só existirá uma família de verdade. Ou, sem esgoto, a merda vai voltar a fazer parte da rotina das cidades, e os ventos vão trabalhar para que o seu cheiro seja inalado por todos os narizes que, gostando ou não, serão obrigados a sentir sua presença.
Aí sim, amigos, as pessoas entenderiam qual é, de fato, o significado de “Viva
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Eronia

“É uma droga” – foi o que respondeu a criança de nove anos de idade ao primo que perguntara qual o significado de “ironia”. Essa com certeza fora a melhor da noite. Bem, a melhor do ano, até então.
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No meio da madrugada de quinta-feira, durante a guerra entre a vontade de dormir e a ausência de sono, assistia a um documentário sobre o efeito da heroína sobre um músico que admirava, até que o celular tocou o tema da fase “Las Vegas” do jogo Top Gear. “Puta burrice tremenda colocar esse toque para mensagens”, pensou.
“Rock épico dos maluco num lugar de playsson nessa sexta. Bora?”
Só respondeu a mensagem quando já estava a caminho do local da festa: “Nóis”.
O amigo que enviara o convite ligou revoltado para o sofredor de insônia no momento em que recebeu a resposta demorada.
- Véi, tu ta de sacanagem. Por que só confirmou agora? Logo agora que já tinha aceitado meu fado de passar a noite assistindo pornografia vietnamita! – esbravejou ao telefone o amigo pouco sociável.
- Mano, para de show. Você mora a menos de 15 minutos da parada. Daqui de onde eu tô, ainda falta uma hora e uns quebrado pra chegar nessa merda. – Sem comentários para o palavreado de dois jovens que há pouquíssimos anos atrás se masturbavam assistindo ao programa “Sabadaço com Gilberto Barros”.
Uma hora e 28 minutos depois, os jovens ingeriam o primeiro gole de bebida alcoólica.
A percepção do, já semi-bêbado, rapaz que se encontrava a dezenas de milhas de sua casa foi sofrendo alterações consideráveis ao longo das garrafas long-neck de cerveja associadas às doses de tequila.
“Engraçado mesmo é pensar que essa merda é feita duma planta que parece babosa! Agave! Isso lá é nome de planta? Esses mexicanos são todos malucos mesmo, só pode. Irado mesmo seria se a tequila fosse bem vermelha. De um vermelho vibrante. Aí, tomaríamos red shots, sacou?”. Seu amigo olhou para ele com uma cara engraçada que o falastrão logo conectou ao significado “sorria e acene”, isto é, seu interlocutor não entendera nada do que havia dito.
Não entender o que o especialista em tequila dizia era quase tão previsível quanto saber que aquela noite ia ter um final inusitado; óbvio, falava engrolado e com tal velocidade que as palavras saíam de sua boca com velocidade muito superior ao bater das asas de um beija-flor.
Enfim a “fase Don Juan” chegava. Aos poucos os dois aventureiros se sentiam cada vez mais atraentes até notarem que uma das garotas mais belas da festa – do universo, como pensavam – estava olhando para os dois.
Chegamos num momento em que precisamos de nomes para os personagens, mas como não garanto que essa história seja fictícia, preservarei os nomes pelos quais minha mente resolveu chamá-los. Sendo assim, chamaremos o fã de músicos ex-usuários de heroína de Juanito e seu amigo apreciador de pornografia oriental de Donizete. Quanto à gostosa, bem, chamaremos de gostosa, mesmo.
Com um andar um tanto quanto trôpego, Juanito vai ao encontro da gostosa, impulsionado - literalmente – por Donizete.
- Oi. – Disse o pedaço de mau caminho, péssima expressão, dicção e gesticulação, Juanito.
- Olá – Respondeu a gostosa.
Duas horas depois os inseparáveis amigos se encontram dançando no salão. Juanito se apóia no chão com o braço direito, enquanto rebola e faz movimentos de vai-e-vem com o braço esquerdo. Donizete rebola por cima de Juanito com expressões de prazer e o cabelo desgrenhado.
Quem olhava jurava que os dois tinham experiência no ramo da pederastia, mas não podia ter certeza. Até que Juanito se levanta, sobe numa mesa e grita – mais alto que o funk: “Atenção para um pronunciamento oficial do secretário de estado, Donizete”.
Donizete desatou a rir, enquanto substituía seu amigo no palanque improvisado e berrou:
“Senhoras e senhores, em verdade, eu, secretário estadual de pederastia e assuntos homoeróticos, vos digo: ninguém é de ninguém!”.
No outro dia, os dois acordaram no campus da universidade onde estudavam que ficava a menos de 10 minutos da boate onde se divertiram.
Donizete: “Cara, lembro de porra nenhuma de ontem. Só uns flashes”.
Juanito: “Mermão, só sei que meu salário todo foi pro saco”.
Um minuto constrangedor de silêncio enquanto os dois refletiam em suas respectivas condições existenciais se passou, até que:
Donizete: “Véééééei, e aquela gostosa que tu trocou idéia ontem?”.
Juanito: “Ah, nem peguei”.
Donizete: “Jura? Depois de 15 minutos, se não pegou, não pega mais! Tu tem que ser mais rápido, cara”.
Juanito: “Véi, você sabe que sou um cara proustiano.As pessoas têm a chance de se tornarem mais interessantes quando você não avança trop vite”.
- Quê?
Fim.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Nu, Desci

Essa era apenas uma das muitas brincadeiras que fazia com o próprio nome. Sujeito forte, moreno de olhos verdes - com cristais marrons -, Nudeci ostentava seu bigodão e os cabelos grisalhos; Na verdade já estavam eram brancos, mesmo.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Torrente

Olhava para o céu.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Ruim Com Eles, Pior Sem Eles

O terminal:
Acabara de saltar no Terminal de Laranjeiras – que não demonstrava nem um pouco de satisfação ao vê-lo, muito menos sorriu – e correu para o banheiro para se aliviar.
Enquanto o alívio tomava conta de seu ser, Frodo notou um jovem que estava no recinto insalubre junto dele. O garoto cheirava cocaína como se quisesse fazer nevar dentro de si. Frodo manteve-se indiferente ao aspirador de pó, pois notou um senhor de idade, que usava o mictório ao lado, apenas uma fração de segundo depois de sentir a presença do pequeno drogado. Esse sim prendeu sua atenção. Por desagradáveis oito segundos Frodo encarou o velho, não acreditava na cara de pau deste, que durante os oito segundos sequer fez menção de desviar o olhar de seu pênis. Frodo lavou as mãos e fugiu correndo do alcance visual do manja-rola.
Na fila do 506 tudo correra bem. Seu fone de ouvido resolveu estourar uma rebelião e não funcionou por mais de quinze segundos. Nesse curto intervalo entre uma música do Darkthrone e outra, Frodo ouviu sobre a violência crescente de um bairro cujo nome não significava nada para ele, e um trecho da história de um rapaz que queria dar cabo à própria vida porque sua namorada disse que não gostava de seu novo corte de cabelo. A história era tão promissora que Frodo desistiu de escutar música para ouvi-la até o fim.
Outra frustração. No fim, o cara entrou na casa da namorada. Frodo não escondeu um sorriso de satisfação pervertida ao pensar no casal desconhecido fazendo sexo, mesmo com o novo corte de cabelo do macho, que, julgava, seguia o modelo do corte do Neymar.
Seu sorriso esmaeceu ao notar que se encontrava na fila do 503 e que um 506 acabara de partir.
A viagem:
Dezesseis minutos depois, entrou num ônibus lotado, mas isso não foi problema. Em apenas quatro minutos de viagem, conseguiu sentar no lugar de um cobrador anão que descera do ônibus.
Sentado ao lado da janela, Frodo olhava pro céu nublado com cara de quem estava fazendo cosplay de Daron Malakian no clipe “Lonely Day”. Mas isso não é nem um pouco surpreendente, pois nosso valente guerreiro estava, de fato, ouvindo “Lonely Day”.
Mais do que de repente as batidas de funk surgiram no fundo do busão. O ônibus estava em Carapina àquela altura.
Em frente ao aeroporto Eurico Salles foi a vez de uma greve paralisar o funcionamento de seu fone. O esquerdo. Sempre o esquerdo!
Resolveu abstrair da sua condição existencial e tentou “curtir” o funk. Quando escutou “ela balança o cu na vara”, teve duas reações quase simultâneas.
Primeiro pensou na capacidade de obliteração de qualquer noção de convivência humana que provinha do funk, e concluiu: são visionários.
Em segundo lugar decretou que aquele dia era, definitivamente, um dia ruim, mesmo que fosse sua folga.
Mal finalizara mentalmente sua carta de suicídio e o ônibus atropelou uma velhinha.
Viagem interrompida / Mais um terminal:
Morte súbita. Frodo quis chorar. Ela foi o último elemento que entrara na sua pesquisa: noventa por cento dos velhinhos têm cara de bonzinhos, não importa o sexo, muito menos o passado. Ela fazia parte dos noventa. Uma pena, pensou.
Outro ônibus veio e Frodo completou o resto do trajeto com relativa paz. Espera, acho que não dei ênfase o suficiente na palavra “relativa”. Crianças berrando e violência sonora – funk – podem caracterizar distúrbios relevantes na viagem.
Enfim, Terminal de Jardim América.
Correu para não perder o ônibus, e sua passagem pelo terminal não teve traumas.
Como até o diabo tem momentos de sorte, Frodo foi tranquilo nos últimos vinte e três minutos de viagem, inclusive, ouvindo música.
A descoberta / A visita:
Ao descer do ônibus, em frente ao seu portão, Frodo chutou um pequeno objeto. Abaixou-se e pegou o que descobriu ser um anel. De plástico.
Frodo olhou para o anel como se este fosse um tesouro perdido de Atlântis e teve apenas um desejo: ser invisível.
Queria desaparecer do mundo, fugir das relações sociais e, principalmente, sumir da frente de qualquer motorista de ônibus.
Durante seus devaneios, Frodo entrou no modo “piloto automático” e já estava sem os tênis quando se sobressaltou com um visitante inesperado.
Gandalf adiantou-se das sombras e fez um breve discurso:
- Desamarre esta cara, jovem.
Não importa se você tem sorte ou não. O que realmente importa é o seu valor, o seu caráter.
No mais, já que falei de valor, acompanhe meu raciocínio. O transporte público deveria ser gratuito, mas não acha que menos de três reais são pouco frente ao confronto com novas histórias e vidas?
Ônibus. Ruim com eles, pior sem eles.
Ao término do monólogo, Frodo pensou com seus botões:
- Por isso que não gosto desse velho, ele só é útil com suas magias.
Pelo menos não tem ônibus nas Terras Imortais.
FIM
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Receita

1 - Pegue qualquer trecho de sua percepção de realidade.
2 - Reflita sobre essa pequena amostra de caos por alguns minutos, em fogo baixo, afinal, somos seres racionais, não passionais.
3 - Faça uma análise. O quê? Quem? Como? Onde? Quando? Por quê? Sistematize o caos.
4 - Refogue suas mágoas.
5 - Adicione uma pitada da segunda lei da termodinâmica à sua tese.
6 - Sistematize os microestados novamente.
7 - Deixe a dialética secando até anoitecer.
8 - Escreva a frase "O destino é inexorável" em cima do seu preparado.
Pronto, é só comer e esperar sua mente digerir o seu passado.
PS: Quando for evacuar suas conclusões não se esqueça:
Viva La Merda!