quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Relato De Um Dia (10/11/09)



Desde o início aquele era um dia anormal. A sensação de que a noite seria fria era quase uma profecia.
Tédio.
Ócio.
Tá, tédio e ócio eram corriqueiros na sua vida.
Uma notícia. Sentia o resquício de esperança se esvair.
Frio, enfim ele chegou. Seu estado febril impedia-o até mesmo de raciocinar. Gotículas de suor brotavam de seus poros.
Uma súbita melhora surgiu junto com uma vontade de purificar-se. Seus olhos estavam inchados - mas não havia chorado. A luz elétrica pregava peças nele.
Tentou olhar para o céu - afinal, a escuridão revela toda a beleza das estrelas - porém, seus olhos o impediam.
Lutou. Brigou. Conseguiu.
Era apenas um, olhando para as incontáveis estrelas.
Tentou dormir, mas perdera o sono. Resolveu escrever, e esperar por seu futuro sombrio.

sábado, 24 de outubro de 2009

26 letras



Está
Doido.
Por
Tanto
Galgar
Sua
Personalidade -
Sensível
Ou
Não -,
Restava
Nada
Produtível.
Vaidade?
Talvez.
Simplesmente
Deixou
De
Ser
Único.
Queria
"Crescer"
Como o
Resto:
Gente
Morta.

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Não. Eu não estou louco. Isto é um texto bizarro que eu fiz quando percebi uma falha na cópia de uma apostila minha de Jornalismo Científico. Tinha uma coluna no lado esquerdo com 26 letras (as que estão em caixa alta), daí deu nisso.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Relacionando Crises Conjugais com o Capital


Querida amada,

Sei que temos passado por muitos problemas ultimamente. Nossas constantes brigas giram em torno dos mesmos motivos, e nunca conseguimos chegar a um consenso. Sempre acabamos culpando um ao outro, esquecendo, muitas vezes, a razão da discussão. Acredito que recentemente, tive o prazer – ou desprazer, se quiser interpretar dessa forma – de me deparar com um conceito que me fez compreender melhor o motivo de nossa atual crise conjugal. O culpado não sou eu, tampouco você. A culpa é do Capital.
Quase consigo enxergar a expressão de confusão e indignação em seu rosto agora. Estou ciente de que para você e para a grande maioria da população, o Capital é meramente uma quantia em dinheiro investida em determinado negócio para se gerar mais dinheiro. Não tenho a intenção de menosprezá-la, minha querida, mas isso não passa de senso comum. Dinheiro investido é apenas uma das inúmeras definições que cabem ao Capital, e isso não chega nem perto de expressar devidamente o quanto este controla as nossas vidas.
Primeiramente, você deve entender que o Capital está em praticamente todo lugar. O seu consultório, o meu escritório, o carro da empresa que eu dirijo todos os dias, qualquer edifício comercial e até a barraca de camelô no centro da cidade, no momento de sua criação, são apropriados pelo Capital. Ele faz com que absolutamente tudo trabalhe e funcione em seu benefício. Quando você exerce a sua função de dentista e cobra determinada quantia para fazê-lo, o dinheiro não pertence a você. Discorda, amor? Então por que não analisamos como você gasta o seu merecido dinheirinho?
Você paga o aluguel, condomínio, e investe em seu apartamento, quando necessário – reformas e adjacentes -; compra roupas e sapatos quando os antigos não estão mais próprios para uso; compra, obviamente, comida, para ter direito às abençoadas três refeições diárias; compra bens de consumo que lhe satisfaçam enquanto ser dotado de personalidade própria, pois pode se dar a esse luxo, que podem consistir em novas tecnologias, objetos de decoração e outros; troca de carro quando julgar necessário; faz seu check-up no médico e gasta com o que for necessário para cuidar de seu bem-estar; paga a escola do seu filho, para garantir o futuro de sua progênie; e, finalmente, gasta saindo à noite, indo ao cinema, viajando para Fernando de Noronha... Afinal, uma mulher trabalhadora como você necessita de um tempo para se divertir, certo?
O que você, minha querida, e a maioria das pessoas não enxerga – e eu, há até pouco tempo atrás – é o real objetivo por trás destes gastos. Se pararmos para analisar, tudo não passa de um ciclo vicioso. Em favor de você, que gasta seu salário digna e responsavelmente? Não, em favor do Capital. O que nós fazemos, na realidade, é simplesmente garantir para nós mesmos moradia, vestuário, transporte, saúde, lazer, e educação para nossos filhos, os elementos necessários para que renovemos nossa bendita Força de Trabalho. É a força de trabalho que executamos a responsável por encher nossos bolsos todo mês. E, como não somos robôs incansáveis, essa força necessita de uma renovação diária que exige certas demandas... E o que seriam? Moradia, vestuário, transporte, saúde, lazer e educação para as crianças, para que elas possam estar aptas a repetir o mesmo ciclo futuramente. Aliás, a educação serve apenas para uma coisa: aumentar o valor da força de trabalho de um indivíduo. Não é plausível que um sujeito que tenha nível superior mereça ganhar mais que um que largou a escola no nível fundamental? Afinal, ele teve mais educação. Amor, garantir isso para seus filhos não é, na prática, uma maneira de torná-los mais sábios, mais inteligentes. É um investimento que ajuda na alimentação do Capital.
Está entendendo a idéia, amor? Você trabalha e ganha esse dinheiro para gastar de maneira a estar apta para repetir o processo novamente. Dia após dia, pelo resto da sua vida. Chocada? Deveria estar.
A verdade é que o Capital fugiu ao nosso controle. Surgiu como uma possibilidade de se adquirir riquezas e liberdade individualmente. Hoje, é a razão de todos os problemas atuais na sociedade: pessoas morrendo de fome pelas ruas, as colossais desigualdades sociais que vemos cotidianamente, e o quão rasa é a mentalidade do cidadão médio. Trabalhamos para manter o Capital firme e forte através dos tempos, raramente temos consciência disso, estamos satisfeitos assim, e parece não haver nenhuma interpretação otimista quanto a essa situação. Estamos sujeitos a uma alienação extrema, e em muitos momentos não parece haver uma saída. Afinal de contas; eu no meu escritório, as milhares de pessoas que trabalham no edifício comercial e o humilde vendedor de quinquilharias de camelô estamos presos ao mesmo processo de gastos monetários que você, meu amor. Agora reproduza tudo isso em escalas globais, de milhões de pessoas. Deprimida? Deveria estar.
Meu objetivo, com tudo isso, é fazê-la entender algo simples: absolutamente nada nessa vida dura eternamente, tudo é efêmero. A partir do momento em que se toma consciência desse ciclo, dessa “maldição” do Capital, se me permite dizer desta maneira, fica muito difícil encontrar algo que faça sentido e nos satisfaça pessoalmente enquanto seres humanos. Só posso esperar que enxergue que diante tudo isso, o que podemos fazer é estarmos felizes e sermos agradecidos por termos um ao outro. Mesmo juntos, talvez nunca possamos nos livrar das garras do Capital, mas podemos, sim, apreciar cada momento que passarmos um com o outro enquanto existirmos na face da Terra. Quero acreditar que esses momentos terão tal significado que para pelo menos para nós, serão, sim, eternos. E principalmente, quero muito acreditar que nosso amor não é simplesmente mais um empregado do Capital.

Com muito amor e sinceridade, de seu para sempre companheiro,

Fulano da Silva

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Por que eu quero uma Ferrari?


Eis uma pergunta extremamente cretina. Acredito que as possibilidades de respostas cabíveis nesse caso são quase infinitas, mas a maioria delas gira em torno do mesmo eixo: o prestígio social e o conceito que o indivíduo alcança ao dirigir o que eu acredito ser a prova mais incontestável da existência de um Deus, são incalculáveis. Ou você acha que as vadias do 50 cent rebolariam em cima do seu Fiat 147?
É raro encontrar hoje em dia pessoas que tenham objetivos ou desejem coisas que não estejam nem um pouco remotamente ligadas com o exemplo acima. O capitalismo abriu a brecha pra uma idiotização em série daquilo que chamamos de sociedade. Nos tornamos tão consumistas que desejamos pelo simples desejar; a velocidade dos veículos de informação e da mídia metralham o frágil cérebro de todos nós ditando o modelo de vida limpo-shopping-center-cash-in-the-motherfuckin-pocket todo santo dia. "Beleza, qual a novidade, seu comuna de merda? Vai citar Che Guevara daqui a pouco, vai vendo..." é o que você deve estar se perguntando. FAIL, n00b!
Vamos presumir que você acabou de ter uma epifania e se deu conta do ser influcienciável que é. Sentiu vontade de largar tudo pra viver uma vida hippie peace and love e vender colar de coquinho na praia? Resolveu se isolar numa montanha no Himalaia, cuidar de lhamas pro resto da vida e mudar o nome para... bom, sei lá, hermitão da montanha no. 2.387? NÃO? "Porra! Isso me torna um filho da puta?" ... Chill, man...
Ao ser confrontado recentemente em decorrência dos meus desejos ultracapitalistas (não tem mais hífen, né? sei lá, foda-se), me perguntei isso. Naquele momento não consegui elaborar uma resposta satisfatória, talvez até por estar um pouco intimidado, visto que estava em pleno debate com veteranos do curso de Serviço Social. Tenho que me acostumar com essa porra, aliás. Refleti um pouco sobre o assunto depois e cheguei à uma conclusão que me fez sentir um pouco menos culpado. Se é que me senti culpado.
Afinal de contas, o que molda a personalidade de um ser humano? Me parece estupidez argumentar que já nascemos totalmente formados. Se eu fosse um Sayajin (o que aliás, seria irado), dificilmente eu iria pensar da mesma maneira que penso. Destruir Kakarotto iria me parecer muito mais atraente do que aparecer na aula de BMW pra comer a gostosa do terceiro período. Nem precisa ir tão longe (põe longe nisso!): fosse eu um norte-coreano, digamos, seria muito mais difícil eu desejar ardentemente uma bateria Mapex pedal duplo, um Nintendo Wii e uma estátua tamanho real do Darth Vader. O que diferencia o filho da puta alienado movido à abadá e novela das oito que quer ter grana pra esfregar na cara das gostosas que ele quer comer de pessoas mais esclarecidas, que também querem ter dinheiro para esfregar na cara das gostosas que ele quer comer, é a consciência e a escolha.
Aceitar automaticamente o que lhe é entregue difere de avaliar todas as possibilidades e pôr na balança, selecionando o que é bom pra você e o que não é. O que te faz sentir bem, o que te agrada e faz sentir completo enquanto ser dotado de personalidade própria, é o que você deve abraçar.
"Mas calma lá! É impossível querer uma Ferrari que não seja pra mostrar pra galera do meu grupo de RP... erm, do meu Jiu-Jitsu! Não passa de uma convenção social, apesar do que você disse." Sim, meu filho. Você é um monstro por querer status social? É pecado desejar uma máquina de 500 mil dólares, V-8, que acelera à 200 km/h com a força de 450 garanhões italianos? Muitos vão argumentar que um indivíduo só quer isso e tudo mais porque foi influenciado e passou a "achar que quer". E as coisas que eles querem, foram orientações divinas enviadas por Jesus Cristo?
"HÁ! Eu sou hippie e vendo cordão de coquinho na praia! Toma essa, malandro!". Pois é... o conceito de hippie eu duvido muito ter sido você que criou. Da mesma maneira que o sujeito "porco capitalista" viu o Cauã Reymond usando a camisa X na novela e roubou o dinheiro do remédio de osteoporose da vó pra comprar, você viu um dia um ser malcheiroso com piolho no cabelo amarrado numa árvore como protesto, e resolveu ser daquele jeito.
"Porra nenhuma! Continuo sendo completamente não-influenciável e foda pra cacete! Die, n00b!!!"
Nesse caso, parabéns. Você acaba de ganhar o selo Zen Master de fodice extrema. Imprima e cole na sua nádega esquerda:


Eu continuo querendo minha Ferrari, minha propriedade em frente à praia e meu Darth Vader. Escolhi ser assim, quero isso porque acredito que assim serei feliz. Se não for, paciência, mas é o que eu quero alcançar. Então tira essa camisa do Che Guevara ou se muda pra Cuba. Se não der certo, eu passo na sua banquinha qualquer dia e compro 500 mil dólares em pulserinha. Garanto que tu vai ficar feliz pra caralho.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Da Série: Coisas MAIS Do Que Desnecessárias (pois todo o resto já o é).



ATENÇÃO:

Este post é completamente desnecessário; e lembre-se: a vida é efêmera, portanto o tempo desperdiçado de sua vida lendo este post nunca mais lhe será restituído.

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O Que É O Efêmero?

Ora, o efêmero nada mais é do que algo passageiro. Isto é, algo metacatraquístico, algo que está além da catraca, pois em grego meta significa "o que vem depois".
Há porém exceções (que só confirmam a regra) como os velhinhos, que apesar de não estarem além da catraca, são, paradoxalmente, metacatraquísticos.

PS: Valendo-se do ditado que diz que "uma definição apenas define o definidor", podemos concluir, acertadamente diga-se de PASSAGEM (tá, parei) que eu ando de ônibus quase todos os dias; e de passagem eu entendo...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Coração, Pâncreas e Pele



Estavam os três conversando, quando o Pâncreas disse para o Coração:
-Nossa, a Pele tá tão por fora...
A Pele, que se assustou com o comentário, diz:
-Do que você está falando???
O Coração, morrendo de rir, responde no lugar do Pâncreas:"Piada interna!"

domingo, 16 de agosto de 2009

O Conto Estranho



-Quem/o que diabos é esse tal Conto Estranho? - Pergunta meu interlocutor.
"Algo que foge do lugar-comum criacionista". Digo eu.
Como?
Boa pergunta...mas a resposta é melhor ainda(!):
Se ao menos eu a soubesse...
No "mundo das ideias" (Salve Platão) ele é infindável. Mas, no mundo dos blogs a sua hora irá chegar. Claro, ele é um herege.
Sua heresia?
Fugir do lugar-comum (sem permissão) para ir para "o canto". Sim, um conto que se isolou, e do canto percebe o sentido da sua existência: "Não sou um texto, sou um sentimento!".
Qual?
Encanto (salve os trocadilhos).
E como sentimentos são sentidos e não expressados, ele se tornou uma sensação (capa de revista e tudo!), até ser trocado pelo vencedor de um "reality show" e cair no abismo do esquecimento.