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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Nostalgia ou falta de opção?


Como é difícil viver nos tempos de hoje. Eu paro pra pensar, chego à conclusão que isso é meio triste, embora não seja culpa nossa. Hoje em dia na indústria do entretenimento está tão cada vez mais raro encontrar qualquer coisa que preste que muitas pessoas estão sendo chamadas de ranzinzas ou nostálgicas em excesso.
Uma amiga minha recentemente me falou do relançamento do filme Toy Story em 3D, para promover o lançamento do terceiro filme da saga. Ao que parece, o segundo filme também será relançado. Diante disso me pergunto: onde capetas foi parar a criatividade humana?
A cada dia que passa eu fico mais desanimado quando eu entro num cinema, loja de discos ou de HQ. A quantidade de revivals, remakes e adaptações de tudo que existe ao nosso redor que estão sendo feitas atualmente é gritante. Os caras preferem pegar algo criado há anos e lançar de novo com modificações muitas vezes ridículas e que defecam em cima da história da obra, do que botar a cabeça pra pensar e bolar algo novo. E o que mais me irrita é que a maior motivação desses infelizes é encher os bolsos.
Isso me leva à minha maior crítica às HQ’s: por que, meu Deus, por que no ano de 2010 nós ainda estamos consumindo lançamentos de heróis criados há 70 e 60 anos? Por que as editoras não se esforçam pra pensar em algo novo, ao invés de ficar adaptando e adaptando os personagens tantas vezes que fica impossível defini-los ou compará-los com eles mesmos depois de certo tempo? Por que “a partir de agora, o homem-aranha será um pouco mais maligno” ao invés de “olha só, criamos esse novo anti-herói maneiro, ele é meio maligno”. E aí inventam uma porrada de baboseiras pra vender mais. Marvel Zombies, nossa, os heróis transformados em mortos-vivos! É por isso que Watchmen, por exemplo, é considerada uma das melhores HQ’S de todos os tempos. Imaginem que beleza seria se adaptassem Rorschach e comapnhia pros dias de hoje. A obra teria uma mancha de bosta do tamanho oceano atlântico. Sinceramente, eu só acho que isso não deu certo até hoje porque não apareceu nenhum quadrinista saco-roxo o suficiente pra dizer: “os heróis clássicos não serão mais publicados. Acabou, seus colecionadores de 40 anos obesos e chatos pra caralho, GET OVER IT!”. Essa é uma das grandes vantagens do mangá sobre a HQ, aliás. Os japoneses são muito mais criativos. Volta e meia rola um relançamento, uma nova edição ou o que seja, mas é infinitamente mais moderado.
No cinema e na música, é basicamente o mesmo que acontece. No caso dos filmes, como copiar a fórmula dos grandes sucessos mil e trezentas vezes por ano já não vinha mais funcionando; toma remake, toma seqüência desnecessária. E os EUA. Como eles adoram pegar um ótimo filme europeu ou asiático e refilmar na gloriosa América do Norte. Isso é subestimar o gosto do público, e inegavelmente, limitar as opções de escolha da audiência. Quando foi a última vez que você viu um filme japonês ou francês no cinema?
E na música... Como é impossível achar bandas ou artistas bons que surgem nos dias de hoje. É foda ser obrigado a ouvir os mesmos artistas há 20 anos. Mais foda ainda é quando uma banda resolve, depois de 30 anos de separação, voltar à ativa pra meia dúzia de shows. É legal para os fãs, eu reconheço, mas subir ao palco usando fralda geriátrica pra ganhar dinheiro e todo mundo ir simplesmente porque não existem bandas boas na atualidade é triste.
Não me considero chato ou ranzinza, sou apenas um cara que gosta de ter boas lembranças daquilo que ficou marcado na vida. Acho sim que Super-Homem, Star Trek e The Police têm valor e muito, pra mim e pra muitas pessoas. Mas essa adoração em excesso e irracional por parte dos fãs e a vontade de encher o orifício anal de dinheiro dos muitos interessados impedem que surjam coisas boas e novas para nos lembrarmos mais tarde. Existem exceções, obviamente, mas estas estão cada vez mais escassas. Só sei que eu não quero que meus filhos sejam criados em um mundo onde Crepúsculo, Tokio Hotel e Naruto sejam símbolos da cultura jovem moderna. Vamos botar a cabeça pra funcionar, minha gente. Não tem problema em matar alguma coisa boa (até porque na memória daqueles que lhe atribuem importância e admiração, nunca morreria), contanto que ela receba um funeral digno. Vamos evitar ter que enfiar tudo numa caixa de tomate e jogar num valão pra boiar no meio da bosta.

Veja um exemplo abaixo:
SRTEET FIGHTER É NO SUPER NINTENDO, COM RYU, KEN, CHUN-LEE E COMPANHIA! NÃO ADIANTA! DESISTAM, MERCENÁRIOS DO CACETE!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Saindo pros Rock: Expectativa VS. Realidade



Um guia para você, leitor perdido que necessita de orientação para se aventurar nas nights capixabas. Ouça de um cara de gosto refinado e seleto (chato pra caralho e metido a cagar cheiroso).


BOATE
Expectativa (bons motivos para ir a tal local/evento):

Uhuuuul manda ver DJ!!!


O ambiente é bem iluminado (aquelas luzes maneiras de festa) e amplo, cheio de gente bonita. Não é um lugar muito barato pra se entrar, então as mulheres são todas aquelas pattys bem vestidas e gostosas, libidinosas e dispostas a qualquer tipo de diversão. Pode até ser que eu demore pra me soltar e começar a dançar, mas depois de uns drinks vou começar a pular, me empolgar e integrar a alma do tunts tunts interminável. Vou dançar colado nas minas e me esfregar descaradamente nelas, quem sabe até pegar algumas ali no calor do momento e bater um papo legal.

Realidade (o que de fato se sucede):

Você depois de muito álcool: O Rei do Ritmo!


O ambiente é mal iluminado, um ovo, e quente pra caralho. Cheio de gente bizarra e funkeiro que comprou ingresso com dinheiro de venda de cordão de prata roubado. As minas são realmente bonitas. Eu não danço de início, mas depois fico bêbado e começo a executar uns movimentos escrotos e constrangedores, pulando igual um maníaco e incomodando todo mundo, sem tomar consciência disso. Chego junto pra dançar com uma mina, ela sai fora, eu finjo que não tava tentando dançar com ela. Tento falar com algumas garotas, mas tenho que berrar igual um maluco pra ser ouvido e desisto. Fail.



BARZINHO
Expectativa:

"Posso te pagar uma bebida?" "Eu pago uma pra você, gatinho!"


Bater um papo legal com os amigos numa noite mais sossegada num ambiente mais refinado. Beber e trocar uns olhares significativos com a mesa das minas do outro lado do bar. Vou virar brother do garçom que vai me servir um ou dois chopps por conta da casa. Uma musiquinha light tocando ao fundo, talvez um jazz ou um rockabilly. Vou me aproximar da mesa das minas com meus colegas, nossos grupos vão interagir. Tem alguns caras na mesa delas, mas eles são gente boa. Vou me dar bem e conseguir um número de telefone. Se bater uma fome, aquela porção de fritas no capricho.


Realidade:

TÁ FALANDO O QUÊ COM A MINHA MINA, MERMÃO?


Encher a cara miseravelmente com a rapazeada num boteco mequetrefe. Entornar todas e ficar piscando e umedecendo a ponta dos dedos e acariciando os mamilos pra mesa de minas do outro lado do bar. Vou encher o saco do garçom, que vai me amaldiçoar e cuspir no meu chopp. Rolando um forrózão ao fundo. Vou tropeçar e cair na mesa das minas e virá-la, derrubando tudo que tem em cima. Os caras são namorados das gurias, e todos da academia “Jiu Jitsu Pit Boy Boladão”. Depois de apanhar, vou sentir fome, só que minha grana foi toda embora na cachaça e o pastelzinho de sete centímetros custa 5 reais.



CHURRASCO
Expectativa:

Gente, mais uma remessa saindo!


Comer uma carne maneira, beber umas cervejas, quem sabe dançar um pouco. É um ambiente que permite mais interação social, então não tem essa de grupinhos. A galera fica descontraída e quem não se conhece acaba se conhecendo. Um lugar bom pra se bater um papo mais duradouro, e mostrar praquela gata que você é um cara interessante, depois que se conhece bem. Vai continuar comendo e vai economizar comida quando chegar em casa, pois estará completamente satisfeito.


Realidade:

Gente, mais uma remessa saindo!


Comer uma carne de pescoço crua pra cacete, porque todo mundo sempre esquece de chamar um churrasqueiro decente. Cerveja quente, porque não deu tempo de gelar. Eu fico o churrasco inteiro segregado na mesa dos nerds, olhando com cara de cão sem dono pra mesa das gostosas, que por sua vez ficam interagindo com a mesa dos bombados. A mesa dos metaleiros está vazia, porque o único que foi convidado é tr00 demais pra ir em churrascos. Vou ficar de conversinha fiada durante um tempão pra cima de uma mina qualquer, e a cada minuto que se passa mais ela me achará um idiota. A carne vai acabar em uma hora e vou chegar em casa passando mal de fome e enjôo (carne crua, lembra?).


SHOW DE METAL (Me dói muito, mas eu tinha que falar disso. Sou um fã de metal, como muitos devem saber, e acho um absurdo o que vem acontecendo com esses eventos de um tempo pra cá. Observem...)

Slayer porra!!! RAINING BLOOOOOOD!!!!!!


Sair de casa pra ver um show de uma banda de metal saco-roxo muito foda! Vou bater cabeça, beber, zuar com a rapaziada, entrar nos mosh-pits e afirmar a minha existência masculina e metaleira. Vão ter algumas minas lá, mas foda-se, show de metal é pra curtir a música! O público vai consistir, obviamente, de fãs de metal, vestidos como tais (faz sentido, né?). Afinal, essa é a oportunidade dos fãs adotarem o visual e representarem seu estilo com orgulho!


Realidade:

Uhuuul, que banda legal! Mas peraí... não é J-Rock?


Sair de casa pra ver uma banda de metal mais ou menos, porque é raro vir banda muito boa pro ES. Bato cabeça e dou uma zuada com a rapaziada, mas no mosh-pit, de repente, aparece meia-dúzia de skinheads com o objetivo de enfiar a porrada pra valer em todo mundo. Vão ter algumas minas lá, e por causa dessa babaquice que se criou nesse meio social jovem de que night é pra pegar mulher, alguns dos meus amigos e conhecidos decidem que a noite vai ser uma merda se não pegarem ninguém e passam a agir como se estivessem em uma boate. O público vai consistir de metaleiros, grunges, rockeiros, uma galera escrota de anime vestida com camisa do Naruto e chapeuzinho com orelhinha de raposa ou coelho, funkeiros afim de arrumar confusão e um ou dois seres muito, MUITO bizarros, e simplesmente indescritíveis. Afinal, show de metal no ES virou sinônimo de convenção de maluco e encontro otaku.


Então se cuidem, crianças. Espero que saibam onde estão pisando.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Retrospectiva de Merda





Todos os eventos relevantes (segundo a minha pessoa, o que põe em dúvida a qualidade e credibilidade jornalística desse post) do ano de 2009, comentados de maneira muito questionável.


CINEMA:

- Bastardos Inglórios: Filme do ano. Quentin Tarantino continua sendo o cara. Segunda Guerra Mundial com Hitler morrendo metralhado taí pra confirmar que a ficção é muito melhor do que a realidade.

- Avatar: Muitos clichês, mas mesmo assim, filme foda. A história é boa e os na’vi são do caralho. Já tá na hora de lançarem um pornô temático com eles, aliás.

- Atividade Paranormal: Filme estilo Bruxa de Blair e REC, muito bom. Me deixou agoniado como há muito tempo não ficava assistindo filmes de terror.

- Watchmen: Do caralho. Muito foda mesmo, melhor filme de herói de todos os tempos. Comprei a HQ e é mais foda ainda.

- Lua Nova: Continua a saga da menina que deve escolher entre praticar zoofilia ou necrofilia.

O resto foi uma merda. Próximo.


MÚSICA:


- “Morte” de Michael Jackson. Porra, alguém acredita mesmo que esse cara morreu? Anuncia uma turnê fodida de que ninguém tava ouvindo falar. De repente morre do coração, a turnê é cancelada, os ingressos viram itens milionários de colecionador, tem um documentário prontinho todo editado a respeito dela, ele vende CD e DVD igual um puto... Tá junto com o Elvis em algum lugar.

- Michael morre e Lady Gaga aparece, pra manter o equilíbrio de celebridades bizarras. O ser humano que mais se esforça pra ser um alienígena, depois do cara do Avatar. Mas eu pegava mesmo assim.

- Felipe Dylon, Luiz Caldas do axé, e Hudson do Edson & Hudson resolveram que são metaleiros. Os próximo são: Chimbinha, Stefhany CrossFox, Dado Dolabella (vai trair o movimento punk), Mc Créu e a puta que pariu.

- AC/DC fez show no Brasil. Eu não fui e preciso acreditar que foi uma merda.


POLÍTICA

- Barack Umbanda recebe a posse no início do ano, e mais pra frente ganha o prêmio Nobel da Paz. Só de sacanagem, depois disso, resolve mandar mais 30.000 soldados pro Iraque. Eu faria o mesmo.

- Conpenhague: Líderes mundiais se reúnem pra bater um papo, contar uns causos, tomar umas biritas e jogar Playstation.

- Silvio Berlusconi, o ministro malandrilson, leva porrada. Duas prostitutas holandesas prestaram socorro médico ao político assim que chegou em casa.

- Movimento Fora Sarney. Para a atual geração, protestar significa falar mau no Twitter. Quando resolverem ir com tacos de beisebol e armas de fogo pra levar aquela porra de Brasília abaixo, me chamem. Faggots.

- Arruda desvia verba e é acusado de corrupção. Argumenta que é pra comprar panettone pra galera. Desculpa aí, cara. Foi mau mermo.

- E mais de um monte de merda e corrupção, com direito a escândalo envolvendo Collor (aquele que foi o único da história brasileira deposto da presidência? E que o povo foi sagaz o suficiente pra dar outro cargo político pro cara? Ah tá), mensalão em Brasília e o caralho. O lance de tomar a capital ainda tá em tempo.



ESPORTE

- Rio de Janeiro escolhida como sede das Olimpíadas de 2016. Pra comemorar, a galera do complexo do Alemão manda um míssil em um helicóptero da PM. VAI BRASIL!

- César Cielo ownou todo mundo e ganhou uma porrada de medalha. Michael Phelps não participou de nenhuma dessas competições. Galvão Bueno e a Globo não estão nem aí.

- Fluminense, numa cagada incomensurável, conseguiu se manter na Série A. As tiradinhas do Tadeu Schimidt, apesar de despertar nas pessoas o mais sanguinário dos instintos assassinos, acompanhou o time durante todo o processo. Haja coração, amigo!

- Flamengo foi campeão depois de muitos anos. A Globo enaltece Andrade, e diz como foi injustiçado e apagado anteriormente pela diretoria do clube e pela mídia, ignorando o fato de que ela própria é a mídia. Depois do título, sem ter o que passar, o Globo Esporte exibe um mês de especiais com as famílias dos jogadores, comissão técnica, cartolas, faxineiros e gandulas do clube.

- É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET, É O PET!!!

- Andrade declara amor ao Flamengo. Depois ameaça abandonar aquela porra toda se seu salário não fosse quintuplicado. Boa, garoto!

- Barcelona vira bonito pra cima do Estudiantes e é Campeão mundial. Por isso...

- Messi é o melhor do mundo.

- Sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2010. África do Sul sifu bonito. A cara de cu do Parreira permanece em minha memória até o presente momento.

- Rubinho dá esperança de título, deixa a galera confiante, e na hora H amarela. Pra completar, joga uma mola na cara do Felipe Massa. Esse cara é o Sergio Mallandro da F1.


GERAL

- Gripe Suína fez o mundo trancar o cu durante meses. O primeiro passo da vingança dos mexicanos contra os EUA.

- Vôo da Air France cai no Brasil. Pauta pra três meses de Jornal Nacional.

- Surge Theo Becker n’A Fazenda. Até agora não se sabe se ele tem sérios distúrbios mentais ou se é mais Sérgio Mallandro do que o Rubinho. De qualquer maneira, esse é irmão desse e esse é irmão desse, leque. TU NUM AGUENTA COM UM CAMINHÃO!

- Ana Maria Braga se veste de Madonna e causa insônia, pesadelos e tentativas de suicídio em 86% da população brasileira.

- Popularização do novo câncer da Internet, o Twitter. É só chegar na mão de brasileiro que o negócio fica bom. Xuxa mandou todo mundo pro inferno e disse que a Sasha foi alfabetizada em inglês. Ashton Kutcher falou que o Sarney é problema nosso e ownou o Marcos Mion.

- Novo Orkut. Caguei um quilo certo.

- Muitas mortes bizarras: Leila Lopes, Lombardi, o cara que escreveu a música que diz a moda agora é namorar pelado, Clodovil...

- Susan Boyle ganha o mundo. A necessidade do ser humano de ser zoão agora passa a produzir ícones mundiais.

- Geysi Arruda vai de vestidinho pra facul. Os outros alunos sofrem alterações mentais e acreditam que voltaram momentaneamente aos anos 30 e chamam ela de puta. Uma semana depois, ela está no Fantástico e vira celebridade nacional. Bem que ela podia ser mais gostosa, né?

Enfim, crianças... como diria Zakk Wylde, “Same old shit, Just different Day and year”. Estaremos aí na Merda em 2010. Merdas diferentes das de 2009, mas sempre e inexoravelmente, merdas. Feliz ano novo pra meia dúzia de pessoas que perdem tempo neste blog. Felicidades e até ano que vem!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Heavy Metal: Escrotizar É Preciso


Muitas pessoas acham que Metal é coisa do diabo. Bom, parte dele realmente é, mas não todo. Nesse post vou dissecar o estilo musical em um guia simples, com gosto duvidoso e expondo minha opinião própria e ridícula, pra você que é n00b e não entende do assunto. São muitas as variáveis do Metal, uma mais agressiva e escrotizadora do que a outra, cada uma com defeitos e qualidades.

Típica banda de Black Metal



Heavy Metal (classicão)
Quem ouve: Saudosistas, a maioria dos metaleiros
Nível de Escrotização: 5
Esse talvez seja o estilo mais difícil de classificar. Surgiram uma porrada de bandas, cada uma com uma temática diferente, que geraram os muitos estilos que conhecemos hoje. Portanto, só vou listar as mais conhecidas.
- Motörhead, Iron Maiden, Black Sabbath

Thrash Metal
Quem ouve: Revoltados em geral. Mas com moderação.
Nível de Escrotização: 8
Foi aí que eu diria que começou a escrotização. Só cabelo grande não era mais o suficiente, agora tinha que berrar com vontade e já começava a dificuldade dos mais castos de diferenciar aquilo de grunhidos e barulho aleatório. O bicho começou a pegar, e já começaram a surgir letras sobre como era legal ou “prazeroso” matar pessoas (Kreator) e cultuar satã tomando banho de sangue (Slayer). Aqui começa pra valer a galera que curte uma rodinha de porrada. Fedor, muito fedor...
- Slayer, Metallica, Megadeth, Sepultura, Anthrax, Pantera

Power Metal
Quem ouve: RPGistas, nerds, músicos mais técnicos e alguns moderadamente revoltados
Nível de Escrotização: 4
Aqui o metal tomou um rumo diferente. Essa galera começou a viajar, e pra fugir da realidade passou a fazer letras sobre dragões, reinos, mitologias insanas e batalhas de aço e de fogo, e honra, glória... Os homens de Gondor e Aragorn eram os letristas dessas bandas. O som é muito técnico, e os vocais agudos. E tome cavaleiro de armadura reluzente, vila dos anões, rei dos dragões, templos amaldiçoados... as capas de discos são todas ilustrações de Dungeons & Dragons, e nos backstages não há sexo ou drogas, e sim mesas de RPG e oficinas de leitura sobre a Idade Média.
- Helloween, Dragonforce, Rhapsody of Fire, Hammerfall

Metal Melódico
Quem ouve: Músicos técnicos e garotas
Nível de Escrotização: -3
Vocais agudos e melosos e melodias mela-cueca. De rebeldia ou escrotização não tem nada. Muita chapinha e shampoo Monange. Tão cintilante quanto os vampiros de Crepúsculo. É bonitinho, todas as amiguinhas da sua irmã vão gostar e querer dar pro Edu Falaschi.
- Angra, Shaman, Viper, Almah

Death Metal
Quem ouve: Revoltadassos, sádicos e escrotizadores por natureza
Nível de Escrotização: 9
Agora vai! Violência, sangue, morte e muita porrada, tudo isso como objeto de contemplação admirável. Agora sim a guitarra é um troço arranhando qualquer coisa indiscernível, e botaram os orcs de Mordor pra serem os vocalistas. Quem disser que consegue entender o que esses putos cantam logo de primeira têm que largar tudo e ir ganhar a vida como fonoaudiólogo. Nas rodinhas de porrada agora se encontram correntes, porretes, martelos, maças-estrela, machados e rifles israelenses. Se você tem todos os dentes da boca ou acha vale-tudo uma ofensa, você nunca será Death Metal.
- Cannibal Corpse, Death, Nile, Obituary

Black Metal
Quem ouve: Pseudo-satanistas sem-mãe ou dignidade e orgulho próprio
Nível de Escrotização: 10
O mundo deverá ser governado pelo todo poderoso lúcifer, e a melhor maneira de fazer isso é cultuá-lo através de músicas com vocais gravados enquanto se vomita. Deve-se vestir totalmente de preto, sempre, e passar muito cal na cara para dar um ar de satânico é sempre bom. A música deve ser rápida, mas ao mesmo tempo melancólica, pois se o belzebu não governa a humanidade, certamente algo está errado. Bodes e pentagramas. Cruzes invertidas. E se você não é de um país nórdico, você não pode ser Black Metal. Porque queimar uma igreja luterana é muito mais tr00 do que tacar fogo na Universal do Reino de Deus. Incinerar o Edir Macedo não é ser satânico, é ser sensato.
- Venom, Dissection, Mayhem, Gorgoroth

Metal Progressivo
Quem ouve: Músicos muito técnicos e pessoas boring
Nível de Escrotização: 5
Estilo musical criado como desculpa pros instrumentistas mostrarem que tocam para caralho. Solo de guitarra, baixo, teclado, bateria, percussão, violino, oboé, flauta doce, xilofone e pandeiro. Tudo tocado da maneira mais filha-da-putamente impossível, e durante 80% da música não se ouve o vocalista. Se tu conseguir ouvir um CD de progressivo inteiro sem dormir, meus parabéns.
- Dream Theater, Symphony X... AHNN… zZzzZzZZZzzZZ…

New Metal
Quem ouve: Revoltadinhos
Nível de Escrotização: 4
É o Thrash Metal que escorreu e estagnou na viadagem. Por alguma razão, pra essa galera colocar rappers e DJ's no meio das músicas é maneiro, muito metal. Cabelo com gelzinho é do mal. Só pra rimar, pega no meu pau.
- Korn, Slipknot, P.O.D., Papa Roach

Existe mais uma porrada de estilos, mas estes são os mais importantes. Os outros são fusões de uns com outros, ou surgem de variações mínimas. Para finalizar, lembre-se: Lemmy is God. Não sabe quem é Lemmy? Então tu não é metal. Tira essa camisa preta.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Relacionando Crises Conjugais com o Capital


Querida amada,

Sei que temos passado por muitos problemas ultimamente. Nossas constantes brigas giram em torno dos mesmos motivos, e nunca conseguimos chegar a um consenso. Sempre acabamos culpando um ao outro, esquecendo, muitas vezes, a razão da discussão. Acredito que recentemente, tive o prazer – ou desprazer, se quiser interpretar dessa forma – de me deparar com um conceito que me fez compreender melhor o motivo de nossa atual crise conjugal. O culpado não sou eu, tampouco você. A culpa é do Capital.
Quase consigo enxergar a expressão de confusão e indignação em seu rosto agora. Estou ciente de que para você e para a grande maioria da população, o Capital é meramente uma quantia em dinheiro investida em determinado negócio para se gerar mais dinheiro. Não tenho a intenção de menosprezá-la, minha querida, mas isso não passa de senso comum. Dinheiro investido é apenas uma das inúmeras definições que cabem ao Capital, e isso não chega nem perto de expressar devidamente o quanto este controla as nossas vidas.
Primeiramente, você deve entender que o Capital está em praticamente todo lugar. O seu consultório, o meu escritório, o carro da empresa que eu dirijo todos os dias, qualquer edifício comercial e até a barraca de camelô no centro da cidade, no momento de sua criação, são apropriados pelo Capital. Ele faz com que absolutamente tudo trabalhe e funcione em seu benefício. Quando você exerce a sua função de dentista e cobra determinada quantia para fazê-lo, o dinheiro não pertence a você. Discorda, amor? Então por que não analisamos como você gasta o seu merecido dinheirinho?
Você paga o aluguel, condomínio, e investe em seu apartamento, quando necessário – reformas e adjacentes -; compra roupas e sapatos quando os antigos não estão mais próprios para uso; compra, obviamente, comida, para ter direito às abençoadas três refeições diárias; compra bens de consumo que lhe satisfaçam enquanto ser dotado de personalidade própria, pois pode se dar a esse luxo, que podem consistir em novas tecnologias, objetos de decoração e outros; troca de carro quando julgar necessário; faz seu check-up no médico e gasta com o que for necessário para cuidar de seu bem-estar; paga a escola do seu filho, para garantir o futuro de sua progênie; e, finalmente, gasta saindo à noite, indo ao cinema, viajando para Fernando de Noronha... Afinal, uma mulher trabalhadora como você necessita de um tempo para se divertir, certo?
O que você, minha querida, e a maioria das pessoas não enxerga – e eu, há até pouco tempo atrás – é o real objetivo por trás destes gastos. Se pararmos para analisar, tudo não passa de um ciclo vicioso. Em favor de você, que gasta seu salário digna e responsavelmente? Não, em favor do Capital. O que nós fazemos, na realidade, é simplesmente garantir para nós mesmos moradia, vestuário, transporte, saúde, lazer, e educação para nossos filhos, os elementos necessários para que renovemos nossa bendita Força de Trabalho. É a força de trabalho que executamos a responsável por encher nossos bolsos todo mês. E, como não somos robôs incansáveis, essa força necessita de uma renovação diária que exige certas demandas... E o que seriam? Moradia, vestuário, transporte, saúde, lazer e educação para as crianças, para que elas possam estar aptas a repetir o mesmo ciclo futuramente. Aliás, a educação serve apenas para uma coisa: aumentar o valor da força de trabalho de um indivíduo. Não é plausível que um sujeito que tenha nível superior mereça ganhar mais que um que largou a escola no nível fundamental? Afinal, ele teve mais educação. Amor, garantir isso para seus filhos não é, na prática, uma maneira de torná-los mais sábios, mais inteligentes. É um investimento que ajuda na alimentação do Capital.
Está entendendo a idéia, amor? Você trabalha e ganha esse dinheiro para gastar de maneira a estar apta para repetir o processo novamente. Dia após dia, pelo resto da sua vida. Chocada? Deveria estar.
A verdade é que o Capital fugiu ao nosso controle. Surgiu como uma possibilidade de se adquirir riquezas e liberdade individualmente. Hoje, é a razão de todos os problemas atuais na sociedade: pessoas morrendo de fome pelas ruas, as colossais desigualdades sociais que vemos cotidianamente, e o quão rasa é a mentalidade do cidadão médio. Trabalhamos para manter o Capital firme e forte através dos tempos, raramente temos consciência disso, estamos satisfeitos assim, e parece não haver nenhuma interpretação otimista quanto a essa situação. Estamos sujeitos a uma alienação extrema, e em muitos momentos não parece haver uma saída. Afinal de contas; eu no meu escritório, as milhares de pessoas que trabalham no edifício comercial e o humilde vendedor de quinquilharias de camelô estamos presos ao mesmo processo de gastos monetários que você, meu amor. Agora reproduza tudo isso em escalas globais, de milhões de pessoas. Deprimida? Deveria estar.
Meu objetivo, com tudo isso, é fazê-la entender algo simples: absolutamente nada nessa vida dura eternamente, tudo é efêmero. A partir do momento em que se toma consciência desse ciclo, dessa “maldição” do Capital, se me permite dizer desta maneira, fica muito difícil encontrar algo que faça sentido e nos satisfaça pessoalmente enquanto seres humanos. Só posso esperar que enxergue que diante tudo isso, o que podemos fazer é estarmos felizes e sermos agradecidos por termos um ao outro. Mesmo juntos, talvez nunca possamos nos livrar das garras do Capital, mas podemos, sim, apreciar cada momento que passarmos um com o outro enquanto existirmos na face da Terra. Quero acreditar que esses momentos terão tal significado que para pelo menos para nós, serão, sim, eternos. E principalmente, quero muito acreditar que nosso amor não é simplesmente mais um empregado do Capital.

Com muito amor e sinceridade, de seu para sempre companheiro,

Fulano da Silva

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Por que eu quero uma Ferrari?


Eis uma pergunta extremamente cretina. Acredito que as possibilidades de respostas cabíveis nesse caso são quase infinitas, mas a maioria delas gira em torno do mesmo eixo: o prestígio social e o conceito que o indivíduo alcança ao dirigir o que eu acredito ser a prova mais incontestável da existência de um Deus, são incalculáveis. Ou você acha que as vadias do 50 cent rebolariam em cima do seu Fiat 147?
É raro encontrar hoje em dia pessoas que tenham objetivos ou desejem coisas que não estejam nem um pouco remotamente ligadas com o exemplo acima. O capitalismo abriu a brecha pra uma idiotização em série daquilo que chamamos de sociedade. Nos tornamos tão consumistas que desejamos pelo simples desejar; a velocidade dos veículos de informação e da mídia metralham o frágil cérebro de todos nós ditando o modelo de vida limpo-shopping-center-cash-in-the-motherfuckin-pocket todo santo dia. "Beleza, qual a novidade, seu comuna de merda? Vai citar Che Guevara daqui a pouco, vai vendo..." é o que você deve estar se perguntando. FAIL, n00b!
Vamos presumir que você acabou de ter uma epifania e se deu conta do ser influcienciável que é. Sentiu vontade de largar tudo pra viver uma vida hippie peace and love e vender colar de coquinho na praia? Resolveu se isolar numa montanha no Himalaia, cuidar de lhamas pro resto da vida e mudar o nome para... bom, sei lá, hermitão da montanha no. 2.387? NÃO? "Porra! Isso me torna um filho da puta?" ... Chill, man...
Ao ser confrontado recentemente em decorrência dos meus desejos ultracapitalistas (não tem mais hífen, né? sei lá, foda-se), me perguntei isso. Naquele momento não consegui elaborar uma resposta satisfatória, talvez até por estar um pouco intimidado, visto que estava em pleno debate com veteranos do curso de Serviço Social. Tenho que me acostumar com essa porra, aliás. Refleti um pouco sobre o assunto depois e cheguei à uma conclusão que me fez sentir um pouco menos culpado. Se é que me senti culpado.
Afinal de contas, o que molda a personalidade de um ser humano? Me parece estupidez argumentar que já nascemos totalmente formados. Se eu fosse um Sayajin (o que aliás, seria irado), dificilmente eu iria pensar da mesma maneira que penso. Destruir Kakarotto iria me parecer muito mais atraente do que aparecer na aula de BMW pra comer a gostosa do terceiro período. Nem precisa ir tão longe (põe longe nisso!): fosse eu um norte-coreano, digamos, seria muito mais difícil eu desejar ardentemente uma bateria Mapex pedal duplo, um Nintendo Wii e uma estátua tamanho real do Darth Vader. O que diferencia o filho da puta alienado movido à abadá e novela das oito que quer ter grana pra esfregar na cara das gostosas que ele quer comer de pessoas mais esclarecidas, que também querem ter dinheiro para esfregar na cara das gostosas que ele quer comer, é a consciência e a escolha.
Aceitar automaticamente o que lhe é entregue difere de avaliar todas as possibilidades e pôr na balança, selecionando o que é bom pra você e o que não é. O que te faz sentir bem, o que te agrada e faz sentir completo enquanto ser dotado de personalidade própria, é o que você deve abraçar.
"Mas calma lá! É impossível querer uma Ferrari que não seja pra mostrar pra galera do meu grupo de RP... erm, do meu Jiu-Jitsu! Não passa de uma convenção social, apesar do que você disse." Sim, meu filho. Você é um monstro por querer status social? É pecado desejar uma máquina de 500 mil dólares, V-8, que acelera à 200 km/h com a força de 450 garanhões italianos? Muitos vão argumentar que um indivíduo só quer isso e tudo mais porque foi influenciado e passou a "achar que quer". E as coisas que eles querem, foram orientações divinas enviadas por Jesus Cristo?
"HÁ! Eu sou hippie e vendo cordão de coquinho na praia! Toma essa, malandro!". Pois é... o conceito de hippie eu duvido muito ter sido você que criou. Da mesma maneira que o sujeito "porco capitalista" viu o Cauã Reymond usando a camisa X na novela e roubou o dinheiro do remédio de osteoporose da vó pra comprar, você viu um dia um ser malcheiroso com piolho no cabelo amarrado numa árvore como protesto, e resolveu ser daquele jeito.
"Porra nenhuma! Continuo sendo completamente não-influenciável e foda pra cacete! Die, n00b!!!"
Nesse caso, parabéns. Você acaba de ganhar o selo Zen Master de fodice extrema. Imprima e cole na sua nádega esquerda:


Eu continuo querendo minha Ferrari, minha propriedade em frente à praia e meu Darth Vader. Escolhi ser assim, quero isso porque acredito que assim serei feliz. Se não for, paciência, mas é o que eu quero alcançar. Então tira essa camisa do Che Guevara ou se muda pra Cuba. Se não der certo, eu passo na sua banquinha qualquer dia e compro 500 mil dólares em pulserinha. Garanto que tu vai ficar feliz pra caralho.