terça-feira, 26 de abril de 2011

Em Busca do Horizonte



Minha mente é um campo de batalha. Mas não um campo plano. Um campo de difícil acesso e compreensão. Estratégias não surtem efeito. O campo é traiçoeiro. Onde havia cumes, agora há depressões.

Muitas baixas e pouco avanço. As trincheiras mudam de posição, mas o fim parece estar além do horizonte. O sangue fétido salpica a terra. Sempre um soldado ferido está trauteando uma canção de tristeza, de saudade. Soldados que nem mesmo sabem o motivo da guerra. Não se recordam de como foram parar ali. Só possuem o instinto de lutar por um ideal. Mas o lema é, foi, e sempre será uma mentira. As baixas aumentam, a seta do tempo avança. Aquele é o inferno. Ele está lá. Ele está em mim. Essa guerra não terá vencedores. Entre mortos e feridos, a salvação é a única certeza que eles têm. A certeza de que ela não virá. Ressurreição é coisa de Messias. E como um bom anticristo, o sagrado não surte efeito. E a batalha prossegue... Ao som de lâminas e gritos de raiva e de dor. Mas nesse campo desolado, não há espaço para cantos de vitória. A terra se mantém girando, o sol vai e vem, mas o horizonte... Esse nunca chega.

terça-feira, 1 de março de 2011

O Ódio de Joãozinho


O conto abaixo descreve acontecimentos reais e verídicos. Mas para proteger a identidade do protagonista, iremos chamá-lo apenas de Joãozinho.


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Joãozinho é estudante de Serviço Social na UFES. Ele estava insatisfeito em seu curso, por vários motivos, e resolveu pedir reopção na universidade. Iria buscar algum outro curso, e enquanto não pudesse fazer a reopção, pegaria todas as matérias de tal curso que fosse possível, para que pudesse adiantar a situação na sua grade curricular.

No dia 28/02, quando as aulas na UFES reiniciaram após o recesso, Joãozinho acordou decidido a ir para o curso de Letras-Inglês. Chegou na sala e olhou ao redor: quatro caras que pareciam ter saído de uma maratona de 39 horas de World of Warcraft sentados olhando totalmente em silêncio para o quadro, esperando pela professora atrasada; duas fileiras de gurias conversando animadamente com aquele tom de voz "barbie gril" sobre como adoram inglês e sonham estudar na europa - uma delas disse que gostaria de estudar em "London", ao que as outras responderam com risinhos falsos.

Não entendam Joãozinho mal, ele também tem seu lado nerd e mauricinho. Mas não é um lado "OLHA MINHA CARA DE QUEM JOGA MMORPG'S DE FRALDA E SORO NA VEIA" ou "PAPAI COMPROU UM BMW PRATA PRA MIM, PRATA É TÃO 2007".

Joãozinho então levantou-se após estar sentado durante 15 minutos e resolveu dar uma chance a outro curso que considerava para sua mudança na UFES: Artes Visuais.

Chegando lá, a primeira impressão foi positiva. Pessoas vestidas de maneira alternativa, três das meninas que seriam da sala de Little John ele já conhecia de rocks, pré-vestibular ou ensino médio. Também conhece pessoas de outros períodos, e se dá bem e admira todas. Foi um bom dia para Kleinen Johan.

No dia seguinte, Petit Joaux voltou para a Artes Visuais, para ter de fato sua primeira aula: Cor. O nome da matéria não o agradou muito, mas, pelo fato de ter se dado bem com as pessoas do curso, resolveu dar uma chance.

Joãozinho começou a se irritar.

Joãozinho sentiu um mixto de vergonha alheia de si mesmo e raiva quando viu o programa da disciplina.

Joãozinho sentiu vontade de enfiar o pincel da professora em seu próprio globo ocular, girar e fazer círculos na metade da aula.

Joãozinho definitivamente não possui dom artístico.


Resumo da ópera:

Pequeño Juanito possui muito, muito ódio no coração. E percebeu que vai achar motivos para odiar qualquer curso que fizer, assim como qualquer outra coisa que fizer na vida. Piccoli Giuanetto decidiu então começar uma banda de Death Metal e espalhar ódio e agressividade pelo mundo. O nome da primeira música será "Chainsaw Through Your Fucking Head If You Ever Make Me Watch A Color Class Ever Again, Motherfucker".

E assim, abraçando seu ódio e aprendendo a conviver com ele, Joãozinho continuará no Serviço Social.


Fim

sábado, 19 de fevereiro de 2011

É O Que Eu Digo:



Alguns dirão que ele não deu chances ao amor.
E isso não deixa de ser verdade.
Se ele tivesse dado mais chance, talvez...
Mas a culpa foi dos dois: ele e o amor.
Quando o amor deu o ar da graça, ele ignorou.
E quando ele quis, o amor passou longe.
Sucessão de erros e desencontros dá nisso mesmo, na incapacidade de querer ser feliz.
Aliás, de ser feliz a dois.
‎'Deixa assim como está. Sereno'.
A arte de viver consiste em estar vivo.
E o coração está longe de querer descansar...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Uma Canção



Nós dois rima com depois e depois não rima com mais ninguém.

Se eu fosse um cara muito doido, eu rimava depois com espírito do além.

Mas como quero rimar com nós dois, só temo depois que você não vem.

Eu sinto que a vid’é muito fácil, só depende do passo que você mantém.

O passo é aquilo que vem primeiro, mas primeiro pare um pouco e pense bem.

Pensando bem, o além não existe, é só meu estado de espírito que insiste em não querer ir além.

A finitude é uma virtude, a menos que tu seja infinito.

O medo é o segredo da vida, se tu corre e não se prende ao grito.

Na vida há menos razão do que a pedra que sempre cai no chão.

Se um dia a pedra subisse, eu entenderia a razão dessa canção.

Mas, pelo sim, pelo não, sigo cantando pr’acompanhar meu violão.

Engraçado, porque o meu violão só interpreta as vontades do coração.

O coração só interpreta o qu’eu sinto.

Como 2 com mais 2 é igual a cinco.

E já que voltei pra nós dois, me diz.

Que horas você vem?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A Aposta de Pascal



Eis que um dia Blaise Pascal, aquele matemático, teve um pensamento:

  • Se você acredita em Deus e nas Escrituras e estiver certo, será beneficiado com a ida ao paraíso.
  • Se você acredita em Deus e nas Escrituras e estiver errado, não terá perdido nada.
  • Se você não acredita em Deus e nas Escrituras e estiver certo, não terá perdido nada.
  • Se você não acredita em Deus e nas Escrituras e estiver errado, você irá para o fogo eterno.
(Tirei da Wikipedia)


A noção de "não perder nada" me soa estranha...

Mas o que mais me chama a atenção é que a Aposta de Pascal só se baseia no medo do pós-morte. Prova da influência grotesca das religiões no pensamento dele.
Dentro dos padrões adotados por Pascal - a existência ou não de Deus e a crença ou não nele - fica claro ser vantajoso acreditar, digo, apostar, na fé.
Porém, a aposta é igualmente eficaz se modificarmos a variável "Deus" por qualquer outra coisa que tenha poderes de nos julgar após a morte - desde um panteão de deuses de qualquer cultura politeísta até o "Cordão de Prata" - que eu mesmo criei.
Como a chance de ganhar a bolada - tocar harpa e cantar ou beber cerveja, guerrear e fornicar - é a mesma, qual devemos escolher?
A religião da maioria? Ou a que, por um acidente histórico-geográfico, algum familiar nosso segue?
Prefiro apostar minhas fichas por aqui mesmo; na lealdade, no amor; quem sabe até na Justiça?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Outra Poesia Profunda


alma é como um mar de escuridão
Pois para ver vídeos pornôs
Muito lenta é minha conexão
Uma neblina de dúvidas sempre me assola
Sempre que eu jogo Pokémon
“Em quem eu uso a Master Bola?”
Um ser incompreendido, inconsolado
Meu mundo torna-se cinza
Pois tirei erro crítico naquela rolada de dado
Só queria ter um alguém, poderia ser você
Liberta-me da minha miséria
Com coca cola, pizza e RPG
As estrelas já não posso ver
Minha cervical jaz muito fudida
Pois muita cabeça naquele show de metal fui bater
Vazia é a substância do meu ser
E chafurdando no próprio vômito me pergunto
“Por que tanta cachaça fui beber?”
Apaga-se o fogo de minha alma
Apaga-se a essência do universo
Apaga-se a churrasqueira
Pois faltou carne e sobrou bebedeira
E minha alegria é esquecida
Pois nesse mundo vazio e cruel
A mina que eu peguei quando tava bêbado
Era feia pra dedéu
Esse mundo é selvagem e impiedoso
Ficarei de prova final
E vou me foder gostoso
E com essa poesia super-profunda e cerebral
Provo que também sou intelectual
E também tenho problema existencial
Afinal, sou um cara de muita complexidade
E ao final de toda essa profundidade
Percebi que dei mais um passo
Rumo à homossexualidade

sábado, 6 de novembro de 2010

Quem Sou Eu (O Futuro)



O futuro a Deus pertence.
Deus não existe.
O futuro não tem dono.
O futuro é só mais uma abstração que a mente humana criou. Assim como Deus.
Tentar me definir é abstração demais.
Penso, logo sou?
Não sou nada.
"Sou um grão de areia no olho do furacão, em meio a milhões de grãos".
Graças a Deus a Língua Portuguesa tem palavras diferentes para "ser" e "estar".
Estou muita coisa.
Estou revoltado e com vergonha.
Envergonhado com alguns de meus atos que me causam revolta.
Revoltado com a minha incapacidade de me revoltar de fato.
Estava.
Não estou mais.
Estou numa guerra interna onde a minha vitória representa a minha derrota.
Nada disso está em mim.
É tempo de paz.
Estou indo embora, de volta para o futuro
De onde eu nunca devia ter saído.